Procurei muito até achar esse poema, que eu acho muito lindo mesmo.
É meio dia. Eu vejo a igreja aberta. E devo entrar.
Mãe de Nosso Senhor, eu não venho rezar.
Nada tenho a pedir e nada a oferecer
Venho somente, ó minha Mãe, para vos ver.
Ver, chorar de felicidade, não saber mais
Do que isto só: que eu sou vosso filho e que aí estais.
Por um momento só quando tudo está quieto.
Meio dia!Estar convosco, assim, sob este mesmo teto.
Nada dizer, contemplar a vossa imagem,
Deixar que o coração cante a própria linguagem,
Nada dizer, mas apenas cantar, porque a alma está cheia demais,
Como o melro que desfia a sua idéia pelo espaço em estrofescasuais.
Porque vós sois tão formosa, porque vós sois a toda imaculada,
A mulher afinal na Graça restaurada,
A criatura na sua honra primeira e na sua plenitude final,
Tal qual saiu das mãos de Deus na Manhã do seu esplendororiginal.
Intacta inefavelmente porque vós sois a Mãe de Jesus Cristo.
Que é a verdade entre vossos braços, e a única esperança e o único fruto,
Porque vós sois a mulher, o Éden da antiga ternura olvidada
Cujo olhar encontra, súbito, o coração e faz jorrar as lágrimasacumuladas,
Porque me quisestes salvar, porque quisestes salvar a França,
Porque ela também, como eu, para vós foi uma coisa na lembrança,
Porque foi quando tudo ruía que vós quisestes intervir por nós,
Porque quem salvou a França ainda uma vez fostes vós,
Porque é meio dia, porque estamos no dia de hoje e estamos sós.
Porque vós aí estais para sempre, simplesmente porque vóssois Maria,
simplesmente porque existis, mais nada,
Mãe de Nosso Senhor, graças vos sejam dadas!
I must be dreaming
Diário de uma jovem estudante de medicina
sábado, 23 de junho de 2012
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
SE
Um dos poemas mais bonitos que eu já li, e deveria ser como um manual para a vida de todos.
SE
Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida
Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida
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